terça-feira, 8 de janeiro de 2019
Luiz Mott
Digo e repito: raramente foi Luiz Mott quem levantou a lebre pela primeira de que personagens históricos ou celebridades nacionais eram praticantes do amor que não ousava dizer o nome. Como leio muito, pesquiso sem parar e arquivo tudo o que encontro sobre homossexualidade, ao divulgar que Carmen Miranda também gostava do babado, que Mazzaropi era gay, que Collor idem – estou simplesmente repetindo o que outros autores já publicaram em livros, revistas ou jornais. Ontem mesmo tive uma enorme surpresa ao saber que um historiador mineiro declarou que o Tiradentes também “jogava água fora da bacia” – embora ainda não tenha conhecimento de seus argumentos. Quem tiver alguma pista, me avise!
Com Zumbi a coisa foi assim: um historiador gaúcho, autor de famoso livro sobre o Quilombo de Palmares, declarou-me que só não escrevia que Zumbi era gay porque tinha medo da reação do movimento negro. Fiquei com a pulga atrás da orelha, pois nunca tinha imaginado que o herói negro pertencesse ao batalhão dos amantes do mesmo sexo. Comecei a pesquisar as biografias de Zumbi e acumulei 5 pistas que sugerem maior identificação de Zumbi como homossexual do que como heterossexual. Portanto, à indagação: era Zumbi Homossexual, a resposta é: provavelmente sim! Zumbi dos Palmares deve ter praticado “o amor que não ousava dizer o nome”. Dispomos de cinco pistas que sugerem sua homossexualidade, enquanto não há nenhuma prova definitiva de que o líder quilombola era heterossexual. Desafio qualquer historiador a comprovar, com documentos da época, que o maior herói negro das Américas teve alguma mulher ou filhos. Não passa de mera presunção e miopia sexológica imaginar que o simples fato de ter sido guerreiro valente serviria como prova de que sendo do sexo forte, gostava do sexo frágil. Ledo engano: o maior general da Antiguidade, Alexandre Magno, também foi grande em seu amor pelos rapazes. O famoso “Batalhão dos Amantes de Tebas”, todo ele formado de pederastas, destacou-se por sua inigualável valentia. Frederico o Grande da Prússia e Lawrence da Arábia, entre muitos outros, são exemplos mais recentes de que muitos homossexuais foram notáveis guerreiros. Portanto, não há qualquer incompatibilidade entre Zumbi ter sido guerreiro retado e amante do mesmo sexo.
Insisto: não havendo nenhuma prova da heterossexualidade de Zumbi, apresento aqui quando menos cinco pistas que sugerem que provavelmente Zumbi dos Palmares era “chibungo” (termo de origem angolana, corrente na Bahia atual, sinônimo de homossexual masculino). Tais indícios juntos valem mais do que documento nenhum sobre sua improvável heterossexualidade.
Primeira pista: não há evidência alguma comprobatória que Zumbi teve mulher ou filhos. Para um grande chefe guerreiro, a poligamia era privilégio indispensável. Ganga-Zumba, tio putativo de Zumbi, teve três mulheres, sendo duas negras e uma mulata. Porque Zumbi abriria mão deste cobiçado prêmio, considerando que devido à carência de mulheres, os quilombolas da Serra da Barriga tinham de contentar-se com uma mulher para vários homens? Como informa o historiador negro Joel Rufino, “os brasileiros sempre acreditaram que os negros famosos e ricos devem se casar com brancas”, tanto que autores mais românticos inventaram uma mulher branca para o líder dos Palmares. ”Legenda romântica…” conclui o mesmo autor.
Segunda pista: Zumbi era conhecido por um intrigante apelido: SUECA. Esta informação é confirmada por Clóvis Moura, outro respeitado historiador negro. Segundo o dicionarista Morais, que viveu em Pernambuco no século seguinte à epopéia palmarina, “sueca” já naquela época tinha o mesmo significado de hoje: “mulher natural da Suécia”. Por que um negão, valoroso guerreiro, seria chamado por nome feminino? Debaixo deste angu tem carne! Nesta mesma época encontramos alguns homossexuais denunciados à Inquisição Portuguesa que também eram chamados por apelidos femininos: “A Galega”, “A Bugia da Alemanha“, inclusive um sodomita negro do Benin que apesar do nome batismal de Antônio, jogava pedra em quem não o chamasse de “Vitória”. “Sueca” é apelido mais adequado para um hétero ou homossexual?
Terceira pista: Zumbi, que ficou coxo num acidente de batalha, descendia dos Jagas de Angola, etnia onde a homossexualidade tinha numerosos adeptos, os famosos “quimbandas”, conforme atestam contemporâneos da guerra dos Palmares, entre eles o Padre Cavazzi e o Capitão Cadornega. Se até em sociedades repressivas e anti-homossexuais o homoerotismo tem batalhões de adeptos, nada mais lógico que também no quilombo de Palmares, onde havia grande falta de mulheres, os “quimbandas” fossem aceitos com naturalidade, como ocorre em muitas comunidades onde há desequilíbrio dos sexos, e que Zumbi também fosse amante de um deles.
Quarta pista: Zumbi, descrito como possuidor de “temperamento suave e habilidades artísticas”, antes de fugir para o mocambo, até os 15 anos, foi criado pelo Vigário de Porto Calvo, Padre Melo, referido como “afeiçoado a seu negrinho”. Ora: nos tempos inquisitoriais a homossexualidade era chamada, com razão, de “vício dos clérigos”, tantos eram os padres envolvidos com as práticas homossexuais. 1/3 dos condenados pela Inquisição pelo pecado de sodomia eram padres. Muitos destes tendo como cúmplices exatamente seus escravos , crias da casa. Os retornos de Zumbi à casa de “seu” padre, depois de tornado quilombola, revelam uma relação profunda que superou as diferenças de raça, classe e idade. “Diz-me com quem andas, que direi quem és…” diz o ditado popular.
Quinta pista: dizem os estudiosos que Zumbi, ao ser preso e executado, a 20 de novembro de l695, foi degolado “sendo castrado e o pênis enfiado dentro da boca”. Macabra coincidência: o Grupo Gay da Bahia dispõe de um volumoso dossier de assassinato de homossexuais brasileiros, em que constam 5 gays, dois em Alagoas, o mesma região onde castraram Zumbi, que foram encontrados mortos exatamente como o chefe quilombola: com o pênis dentro da boca. Uma forma antiga e simbólica de humilhar os “falsos ao corpo” que por não terem usado adequadamente seu falo, tornaram-se merecedores de engoli-lo na hora da morte.
Enquanto não se provar o contrário, com o exigido rigor documental, estas cinco pistas permitem-nos afirmar que o grande Zumbi dos Palmares provavelmente era amante do mesmo sexo. Longe de desmerecer a valentia do maior líder negro do Novo Mundo, tais pistas aumentam-lhe a glória, pois ainda hoje, só cabras muito machos têm a coragem de assumir o amor por outro homem. Baseando nestes fortes indícios, o Movimento Homossexual Brasileiro participou orgulhoso e solidário, ao lado de todos os negros, mestiços e brancos anti-racistas, das comemorações do terceiro centenário da morte de Zumbi (1995) herói negro e provavelmente, depois de Alexandre Magno, o homossexual mais valente de toda História Universal.
Por causa deste artigo, publicado em diversos jornais na época daquelas celebrações , os muros de minha casa foram pichados e os vidros de meu carro quebrados por alguém que considerou um ultraje um herói negro ser amante do mesmo sexo. Vários líderes negros me condenaram por estar “denegrindo” a imagem do líder quilombola, outros chegaram a dizer que homossexualismo era coisa de branco e que não existiam gays e lésbicas na África. Felizmente fui apoiado por grande número de intelectuais e políticos que consideraram politicamente incorreta a reação machista e preconceituosa dos negros opondo-se à possibilidade de Zumbi ter sido gay e absolutamente condenável a violência cometida contra mim. Estas reações negativas comprovam o acerto da pesquisa da Data-Folha: os negros e afro-descendentes são mais conservadores sexualmente do que o resto dos brasileiros. Ao menos na teoria – e na falação – pois na prática, tenho minhas dúvidas, pois a quantidade e soltura dos gays, lésbicas, travestis e bissexuais negros contradiz a sexofobia e homofobia manifestadas no tricentenário de Zumbi.
terça-feira, 1 de janeiro de 2019
REGENCIA DO ANO DE 2019 - OGUM NANÃ E O ODU EJILAXEBORÁ.
Por João Batista de Ayrá- Babalorixá, Advogado e Jornalista, do Tambor
de Mina Jêge Nagô do Maranhão, Catimbozeiro, Feiticeiro, Quimbandeiro,
Quiumbadeiro, Nagozeiro e Pagé.


O ano de 2019 terá a
regência do Orixá Ogum e do Orixá Nanã, responsáveis pela renovação de tudo que
a natureza nos oferece, e que dela podemos extrair, sendo a natureza a fonte de
toda a riqueza, existente na terra, teremos a obrigação, e o dever legal de
dela cuidarmos e pleitear para que, ela nos seja mãe, e não madrasta.
Nanã um dia junto com Omolu,
conta a diáspora africana, que juntando o barro, tomou de um pouco de mesmo e
tentou formar o ser humano, mas o barro se lhe apresentou inconsistente, por
falta de humidade, e juntos tomaram da aridez do barro e a água, emanada de
Nanã, juntos tentaram moldar o ser humano, assim, o conseguiram, porém, faltava
o elemento água, que somente poderia vir da natureza do poder de emanar, e de
todas as Yabás com ligação com os rios, com as
cachoeiras, lagos, chuvas torrenciais e, garoas, finas e grossas, e das águas das pororocas, a
junção das águas dos rios com a águas do mar.
Mas faltava um elemento maior,
o sopro da vida, que somente poderia ser dado por nosso grande Pai Olodumare,
pois somente ele assim como no velho testamento, ele representa a primeira e
última palavra grega “o alfa e o ômega”, ou seja, o princípio e o fim, de forma
que o Deus que nos sopra o ar para podermos viver, e nos tira este mesmo ar,
quando chega o sublime momento da nossa passagem para o Orum (Céu), ou algum
outro local por ele escolhido.
E desta forma, foi formado o
ser humano com todas as suas vicissitudes, bondades, e amores, sentimentos angelicais,
demoníacos, vingativos, de desprendimento em prol do nosso semelhante ou contra ele, desde que que sejamos vítimas,
mas nos dando a graça sempre do perdão.
Esperamos da grande Mãe
Nanã, a sua benevolência e amor, para que tenhamos, nesta segunda metade do ano,
o resgate, o início, da paz e da benevolência e das prosperidades e a graça de ter
a nossa saúde resgatada, conforme o
merecimento de cada um.
Na primeira metade do ano a
regência será do grande Ogum, que virá com seus resgates, que por ser o executor, o
senhor dos caminhos, o punidor dos malfeitores, virá distribuindo e executando
as sentença estipuladas pelo grande Rei Xangô, que no ano que se finda, baixou seus
decretos condenatórios junto com a Orixá Yansã, que com sua espada e, seus
raios e belicosidade, ajuda o grande rei a cumprir a sua missão distributiva da
justiça.
Haja vista, a grande revolta
de justiça praticada pelo Rei Xangô, que condenou e puniu muitos malfeitores, cabendo agora, a
Ogum juntamente com Exu que é o grande caçador, haverão de dar prosseguimento do
cumprimento das sentenças proferidas no ano que se finda pelo grande Rei Xangô.
Ogum, por ser o caminho, o
dono do ferro (regente do ferro e do aço), estará ligado ainda à prisão, à
soltura, as decisões nos tribunais de primeira, segunda e terceira instância,
prendendo quem deverá ser preso e libertando que deverá ser solto.
A violência estará em alta,
mas se fará necessária para o verdadeiro cumprimento da justiça. De forma, que
deveremos estar antenados com os princípios de Ogum, sejamos dele ”omorixás” (FILHOS) ou
não, devemos ter o dever legal de agirmos de acordo com seus postulados, de justiça
e de cumpridor desta.
Ogum, ainda nos trará muitas
vitórias no campo das criatividades que envolvam o ferro, haverá muitos avanços
nas melhorias das energias elétricas, pois aqui Ogum estará junto com Yansã,
que rege os raios e as tempestades, e estará propícia a nos fornecer maiores
confortos através da expansão da sua regência da sua força elétrica.
A indústria automobilística
tem tudo para dar uma alavancada rumo a dias melhores.
Um ponto que pode se tornar
algo negativo, será a facilidade da população ter o poder de poder se armar
para fazer frente à violência, pois tal atitude governamental, poderá se tornar
uma faca de dois gumes, para todo o povo,
em face da sua fragilidade junto ao crime organizado. Devemos ter muito cuidado
com essa nova situação.
Os presídios ainda continuaram
superlotados, e quem estiver no regime prisional, continuaram tentando de lá evadir-se
a qualquer custo, refregas (contendas continuarão acontecendo dos dois lados).
É a belicosidade de Ogum,
que também vê tanto um lado quanto o outro.
Na economia, esta, ainda
andará a passos pequenos, em face dos buracos econômicos deixados no passado
pela malversação do dinheiro público.
O grande problema será o novo
governo encontrar a fonte para tapar os buracos que restaram do passado, para
encontrar subsídios para novos projetos, para tirar a população brasileira
deste buraco enorme de desemprego e miséria em que se encontra para um sol nascente
e um poente melhor, nas suas contas e necessidades.
Ogum estará laborando neste
sentido, com coerência e determinação.
Em suma, todos estaremos
sendo regidos por todos os Orixás, pois a natureza de todos eles prescindem, de cada um dar a sua contribuição, para
formarmos um todo uno e indivisível.
Teremos ainda a regência do
ODU EJILAXEBORÁ, que é o Odu de Xangô e de seus doze ministros, em que seis
decidirão a favor e outros seis decidirão contra, significa, que quem tem
papeis (processos-pendengas judiciais), ainda estarão, sujeitos a resolução.
Que tenhamos no geral um ano
bom e próspero e que Ogum, Nanã, e Ejilaxeborá nos protejam rumo a dias
melhores.
AXÉ!
terça-feira, 18 de dezembro de 2018
segunda-feira,
17 de dezembro de 2018
JOÃO BATISTA DE AYRÁ
|
VAMOS MELHORAR DE VIDA
ATRAVÉS DA MAGIA E DE FEITIÇOS
Os tempos estão muito difíceis, desemprego, desapego de
pessoas queridas, todos os segmentos religiosos, evangélicos, espíritas,
católicos oferecem caminhos, porém, somente o candomblé, com as suas quiumbandas,
quimbandas, candomblé de caboclo e xambá entre outras magias, é que está
preparado para dar uma resposta mais rápida a tantos problemas, tudo
através de magia e feitiços, é só nos procurar, e iremos trabalhar com todas as
formas de magias para restituí-lo ao seu caminho de prosperidade e progresso,
temos em nossas mãos as mais variadas formas de magias e
feitiços para recolocá-lo nos trilhos, é só querer, venha nos procurar, e o subteremos a um tratamento de choque espiritual, pois
Deus não quer ninguém na miséria ou na míngua, venha ser feliz, temos os mais
variados tipos de oráculos jogo de búzios, assistência com Exus Eguns, e outras
entidades, não somos os melhores, mas temos caminhos espirituais que muitos não
possuem, receitas do tambor de mina jêge nagô e catimbó do Maranhão. É SÓ
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TJ: É
POSSÍVEL CRIME DE EXTORSÃO POR AMEAÇA ESPIRITUAL
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A ameaça supersticiosa, isto é, aquela que se refere a uma crendice, simpatia ou
macumba (item nº 26).
Recentemente, a Sexta Turma do Superior Tribunal de
Justiça, de forma unânime, decidiu, sob relatoria do Ministro Rogerio Schietti
Cruz, no REsp 1299021, que a ameaça de emprego de forças espirituais para
constranger alguém a entregar dinheiro é apta a caracterizar o crime de
extorsão, mesmo que não haja violência física ou outra forma de ameaça.
Transcrevo parte da ementa:
[…]
3. A alegação de ineficácia absoluta da grave ameaça de mal espiritual não pode ser acolhida, haja vista que, a teor do enquadramento fático do acórdão, a vítima, em razão de sua livre crença religiosa, acreditou que a recorrente poderia concretizar as intimidações de “acabar com sua vida”, com seu carro e de provocar graves danos aos seus filhos; coagida, realizou o pagamento de indevida vantagem econômica. Tese de violação do art. 158 do CP afastada.
[…]
(REsp 1299021/SP, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 14/02/2017, DJe 23/02/2017)
3. A alegação de ineficácia absoluta da grave ameaça de mal espiritual não pode ser acolhida, haja vista que, a teor do enquadramento fático do acórdão, a vítima, em razão de sua livre crença religiosa, acreditou que a recorrente poderia concretizar as intimidações de “acabar com sua vida”, com seu carro e de provocar graves danos aos seus filhos; coagida, realizou o pagamento de indevida vantagem econômica. Tese de violação do art. 158 do CP afastada.
[…]
(REsp 1299021/SP, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 14/02/2017, DJe 23/02/2017)
No caso analisado, a vítima teria contratado a
acusada para realizar trabalhos espirituais de cura. Posteriormente, a vítima
passou a se recusar a dar mais dinheiro pelos serviços, momento em que a
acusada teria, segundo a denúncia, exigido 32 mil reais para desfazer “alguma
coisa enterrada no cemitério” contra os filhos da vítima. Também teria dito que
“agiria em nome de espíritos”. Por esse fato, o STJ considerou a prática do
crime previsto no art. 158 do Código Penal.
O relator considerou que para a vítima e boa parte
da população brasileira existe a crença na existência de forças espirituais, motivo
pelo qual a atitude imputada à ré seria capaz de gerar intimidação.
Essa decisão não significa, obviamente, que
qualquer “ameaça espiritual” contra qualquer pessoa constitui ameaça para fins
penais. Na verdade, o STJ considerou que, nesse caso concreto, a ameaça
espiritual possuía eficácia em razão do fato de a vítima ter pago os valores
exigidos mediante constrangimento. O pagamento, que seria mero exaurimento do
crime de extorsão (classificado como crime formal), demonstraria que a vítima
teria se sentido intimidada.
A ameaça, como crime (art. 147 do Código Penal) ou
elemento de outro crime (por exemplo, os arts. 146, 157 e 158 do Código Penal),
não pode ser aferida abstratamente, porquanto necessária a sua capacidade de
causar temor à vítima.
Assim, a ameaça espiritual, por si só, não causaria
temor indistintamente a toda e qualquer pessoa. A controvérsia surge quando se
tenta definir qual é o critério utilizado para balizar se há ou não
intimidação.
Poder-se-ia adotar, como pretendido pela defesa nesse
caso julgado pelo STJ, o critério do “homem médio”, ou seja, uma análise
objetiva do que outras pessoas teriam sentido – intimidação ou indiferença –
após ouvirem as afirmações que teriam intimidado a vítima. Nesse contexto, não
seriam consideradas as crenças da vítima. Ademais, a defesa argumentou que o
meio utilizado seria absolutamente ineficaz para a finalidade de concretizar
uma ameaçar.
Por outro lado, há quem defenda que deve ser
considerada a condição subjetiva da vítima, desconsiderando o critério do
“homem médio”. Adotando esse critério, seria evidente que no caso julgado pelo
STJ as ameaças espirituais constituiriam ameaça para fins penais, porque a
vítima acreditava em forças espirituais, razão pela qual, inclusive, havia
procurado a acusada para promover cura espiritual.
De qualquer sorte, trata-se de um tema que merece
maior atenção acadêmica, a fim de evitar que sejam adotados critérios distintos
(objetivo ou subjetivo) de forma casuística.
Rio inaugura
delegacia especializada em combater crimes raciais e de intolerância
Data: 18/12/2018
Categoria: Casos de Racismo, Defenda-se
No evento, a campanha “Liberte Nosso Sagrado”
cobrou a devolução de objetos religiosos apreendidos pela polícia
Por Clívia Mesquita, do Brasil de Fato
Policias
estão passando por uma série de capacitações para atender vítimas de crimes
como homofobia, racismo e intolerância religiosa / CARL DE SOUZA / AFP
Na última quinta-feira (13) a Polícia Civil
inaugurou na Rua do Lavradio, n º155, região central da cidade, a Delegacia
Especializada em Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi). Segundo o
delegado titular da unidade, Gilbert Stivanello, os policias estão passando por
uma série de capacitações para atender as vítimas de crimes como racismo, xenofobia,
intolerância religiosa e homofobia.
No mesmo endereço também funciona a Delegacia da
Criança e Adolescente Vítima (DCAV) e a de Proteção à Criança e ao Adolescente.
Estiveram presentes na inauguração representantes do poder legislativo,
judiciário, autoridades da área de Segurança Pública e também lideranças de
diversas religiões.
A campanha Liberte Nosso Sagrado
“É importante dizer que esses passos vêm de longe e
que são mais de 10 anos acompanhando esse movimento que hoje se materializou”,
palavras da Mãe Meninazinha de Oxum, grande líder do movimento Liberte Nosso
Sagrado.Durante o evento que marcou a inauguração da Delegacia Especializada,
representantes da campanha cobraram a devolução de objetos sagrados apreendidos
pela polícia quando as religiões de matrizes africanas eram criminalizadas por
lei no Brasil.
Jorge Santana, membro da campanha Liberte Nosso
Sagrado e um dos diretores do documentário “Nosso Sagrado”, ressaltou a luta de
mais de 70 anos para o resgate dos objetos.
“A gente tem como propósito retirar esses objetos
de lá porque desde 1945 essas religiões deixaram de ser criminalizadas e os
objetos não foram devolvidos aos seus verdadeiros donos que são as lideranças
religiosas da umbanda e do candomblé”, explicou.
O filme “Nosso Sagrado” foi mais um desdobramento
da campanha e se tornou uma importante plataforma de denúncia do descaso das
autoridades para com as religiões de matriz africana no Brasil. O documentário
resgatou, a partir de depoimentos de ialorixás e pesquisadores, o histórico de
perseguições por parte do Estado. O diretor do filme, Fernando Sousa, destacou
o aspecto do racismo religioso presente na postura das instituições.
“A gente discute a importância que esses objetos
sagrados têm para a umbanda e o candomblé, e a gravidade deles estarem ainda
hoje no Museu da Polícia Civil, do fato de já terem sido classificados como
coleção de magia negra e expostos de forma inadequada” , disse.
O documentário, produzido pela Quiprocó Filmes, tem
percorrido festivais como o Los Angeles Brazilian Film Festival, onde será
apresentado na próxima semana, e feito debates em terreiros e escolas públicas
sobre racismo religioso.
Marco Teobaldo, que também participa da campanha
pela transferência dos objetos para o Museu da República, apontou a necessidade
urgente de cuidado do acervo para evitar a sua completa deterioração.
“No momento, o acervo está sendo vistoriado pelo
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e pelo Museu da
Polícia, a gente acompanhou algumas das vistorias, o acervo não está em bom
estado e realmente precisa ser cuidado da maneira que merece porque é a
primeira coleção tombada pelo IPHAN em 1938”, diz o curador do Instituto Pretos
Novos.
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